
A decisão do prefeito de Altos-PI, Maxwell Da Mariinha de autorizar uma operação de crédito de até R$ 17,46 milhões junto à Caixa Econômica Federal, destinada à área da saúde, chega em um momento que chama atenção: faltando cerca de 40 dias para a eleição e com o irmão do prefeito disputando uma vaga de deputado estadual. Não se afirma que o empréstimo tenha finalidade eleitoral. A lei aprovada prevê formalmente a aplicação dos recursos na saúde.
Mas a proximidade da operação com o calendário eleitoral coloca o prefeito diante de uma pergunta que precisa ser respondida. Se o município precisa desses R$ 17 milhões para investimentos em saúde, por que a contratação ocorre justamente às vésperas da eleição? Não seria possível deixar a decisão para depois do pleito? Em política, o momento de uma decisão também pesa. E uma operação de R$ 17,46 milhões, em um município como Altos, não é pouca coisa.
Quando ocorre tão perto de uma eleição e envolve uma gestão cujo grupo político tem candidato na disputa, a medida inevitavelmente ganha repercussão política. O prefeito tem o direito de explicar a necessidade e a urgência do financiamento. A população também tem o direito de saber quanto vai pagar, por quanto tempo, quais ações serão executadas e por que a contratação não pode esperar algumas semanas. A questão não é ser contra investimento na saúde. É perguntar: por que agora?
Fonte: Portal Encarando/Silas Freire