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Polícia Federal pede mais tempo para investigar Lulinha

PF pretende rastrear movimentações financeiras e identificar quem pagou viagens realizadas por Lulinha e pela lobista Roberta Luchsinger.

Redação
Por: Redação
21/10/2026 às 11h10 Atualizada em 21/10/2026 às 16h00
Polícia Federal pede mais tempo para investigar Lulinha
Lobista Roberta Luchsinger (E), amiga intima de Lulinha (D), filho do presidente Lula

A Polícia Federal pediu mais prazo para investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por suspeitas de tráfico de influência no governo federal. Os investigadores alegam que o prazo inicial de 60 dias não foi suficiente para concluir as diligências e que ainda há medidas importantes em andamento. Os pedidos de prorrogação foram encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2 de outubro e ainda aguardam decisão.

As investigações apuram possíveis irregularidades envolvendo relações de Lulinha com empresas e agentes públicos. Em uma das frentes, a PF quer esclarecer se ele teria atuado para favorecer negócios ligados ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, no Ministério da Saúde. O caso envolve tratativas relacionadas à comercialização de produtos à base de cannabis medicinal. Em outra investigação, os policiais apuram uma possível atuação para beneficiar uma empresa de tecnologia em negócios com a Dataprev, estatal responsável por sistemas de dados da Previdência Social.

A PF também pretende rastrear movimentações financeiras e identificar quem pagou viagens realizadas por Lulinha e pela lobista Roberta Luchsinger desde 2023. Os investigadores querem cruzar os deslocamentos com os de outros envolvidos e verificar se houve relação entre as viagens, reuniões com agentes públicos e negócios sob suspeita. Um dos episódios analisados é uma viagem a Portugal, em junho de 2024, realizada por Lulinha e Roberta, dias antes de o Careca do INSS viajar para o mesmo país.

Outra linha de apuração envolve o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. A PF busca esclarecer possíveis conexões entre ele, Lulinha e Roberta, além de tratativas com integrantes do governo federal. Há ainda um terceiro inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, do STF, que investiga suspeitas de favorecimento de empresas junto ao poder público.

Os pedidos de prorrogação foram inicialmente encaminhados ao ministro André Mendonça, responsável por duas das investigações, mas os casos estão sendo direcionados ao gabinete do presidente do Supremo, Edson Fachin. Até o momento, não havia decisão sobre a ampliação do prazo.

A defesa de Lulinha contesta a continuidade das apurações e classifica as novas diligências como uma “pesca probatória”, expressão usada para criticar investigações que, segundo os advogados, procuram provas sem uma hipótese concreta devidamente sustentada. A defesa afirma que os extratos bancários do empresário não mostram pagamentos de Roberta Luchsinger e sustenta que a investigação deveria ser arquivada. Os advogados de Roberta também questionam a prorrogação e defendem o encerramento do inquérito.

Lulinha é alvo de três investigações no STF. As apurações buscam esclarecer suspeitas de tráfico de influência e possíveis favorecimentos em negócios com órgãos federais. Até o momento, as suspeitas investigadas não equivalem à comprovação de crime.

Fonte: Diário do Poder/Rodrigo Vilela